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Dor na virilha ao agachar ou dirigir? Pode ser impacto no quadril

14 de setembro de 2026 · Instituto Dra. Vanessa Alves
Dor na virilha ao agachar ou dirigir? Pode ser impacto no quadril

Dor na virilha ao agachar ou dirigir? Pode ser impacto no quadril

Você é jovem, ativo, e começou a sentir uma dor na virilha que vem devagar. Piora ao agachar no treino, ao dirigir por mais tempo, ao ficar muito tempo sentado em reunião ou no cinema. Às vezes trava, às vezes estala.

E quando alguém pergunta onde dói, você faz aquele gesto quase automático: polegar e indicador em forma de "C" sobre a lateral do quadril. Esse gesto tem nome na literatura — é o sinal em C — e é tão característico que ajuda no diagnóstico.

O quadro se chama síndrome do impacto femoroacetabular, ou FAI.

O que é o impacto femoroacetabular

O quadril funciona como uma bola dentro de uma taça: a cabeça do fêmur encaixa no acetábulo, na bacia. No impacto femoroacetabular, existe uma alteração no formato desse encaixe, e os ossos se tocam onde não deveriam durante o movimento — especialmente quando você flexiona e roda o quadril para dentro.

Existem duas morfologias:

  • Cam: uma proeminência óssea na junção entre a cabeça e o colo do fêmur, que deixa a "bola" menos esférica;
  • Pincer: uma cobertura óssea excessiva da borda do acetábulo, a "taça" sobrando sobre a cabeça femoral.

A forma mista, com as duas alterações, é a mais comum em pacientes com sintomas.

Importante: ter a alteração no exame não significa ter a síndrome. Muita gente tem o formato ósseo e nenhum sintoma. O diagnóstico exige a combinação de sintomas, achados no exame físico e na imagem.

Sintomas típicos

  • Dor na virilha ou na região anterolateral do quadril, de início gradual;
  • Piora ao agachar, ao dirigir e ao ficar muito tempo sentado;
  • Piora em esportes de alta intensidade, especialmente com mudança de direção;
  • Sensação de travamento, estalo ou falseio;
  • Perda de amplitude — dificuldade para cruzar a perna ou calçar o sapato;
  • O sinal em C ao indicar onde dói.

Entre atletas, a prevalência sintomática chega a 55%, contra 10% a 15% na população geral.

Como é avaliado

No exame físico, o teste mais usado é o sinal de impacto anterior (flexão do quadril a 90 graus, adução e rotação interna — conhecido como FADIR), presente em cerca de 88% dos pacientes. O teste FABER também é usado, sobretudo para avaliar o lábio acetabular.

A confirmação envolve exames de imagem solicitados pelo médico.

O que a ciência mostra

Aqui vamos ser diretos, mesmo que a conclusão não seja a mais conveniente para uma clínica de fisioterapia — porque você merece a informação correta para decidir.

O maior estudo sobre o tema é o UK FASHIoN, um ensaio clínico randomizado publicado como relatório completo do NIHR (2022). Ele acompanhou 348 pacientes em 23 hospitais, comparando artroscopia do quadril com fisioterapia personalizada. Aos 12 meses, o resultado favoreceu a cirurgia, com uma diferença ajustada de 6,8 pontos no iHOT-33 — a escala de qualidade de vida específica para o quadril.

Uma *revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Medicine (2022), com 4 ensaios clínicos randomizados e 749 pacientes*, encontrou a mesma direção: três dos quatro estudos favoreceram a artroscopia no curto prazo.

Então a fisioterapia não serve? Serve — e os mesmos estudos explicam por quê:

  • A vantagem da cirurgia foi modesta em média e medida em 12 meses; os próprios autores pedem seguimento mais longo antes de conclusões definitivas;
  • O relatório do UK FASHIoN é explícito ao dizer que essa melhora tem um custo e que não demonstrou custo-efetividade no primeiro ano;
  • Uma parte importante dos pacientes melhora com o tratamento conservador e não chega a operar;
  • A fisioterapia é a primeira linha recomendada, junto com modificação de atividade e analgesia — a cirurgia entra quando o tratamento conservador bem conduzido não resolve;
  • Quem opera também faz reabilitação depois. A fisioterapia não é alternativa à cirurgia nesse caso; ela é parte do caminho, antes e depois.

O que não dá para dizer, e não vamos dizer, é que "fisioterapia é melhor que cirurgia" para o impacto femoroacetabular. Não é o que os ensaios mostram.

Como tratamos na clínica

  • Avaliação do padrão de movimento: como você agacha, senta, sobe escada e distribui carga;
  • Fortalecimento dos músculos do quadril, especialmente glúteos e rotadores profundos;
  • Controle motor do tronco e da pelve, que reduz o impacto mecânico na articulação;
  • Ajuste de amplitude e de carga nas atividades que provocam a dor — agachamento, bicicleta, treino;
  • Terapia manual e trabalho de mobilidade, quando indicados;
  • Orientações de rotina: altura do assento, tempo sentado, pausas ao dirigir;
  • Quando a cirurgia é indicada pelo ortopedista, preparo pré-operatório e reabilitação pós-operatória.

Quanto tempo leva

O tratamento conservador é avaliado ao longo de alguns meses. Esse período serve para duas coisas: dar chance real de melhora — que acontece em boa parte dos casos — e, se não houver resposta suficiente, apoiar uma decisão cirúrgica bem fundamentada, junto com o ortopedista.

Quando procurar avaliação com atenção

Dor aguda no quadril exige investigação médica para descartar outras causas. Procure atendimento se houver:

  • Febre associada à dor no quadril;
  • Incapacidade de apoiar o peso na perna;
  • Dor de início súbito e intenso, especialmente após trauma;
  • Dor noturna importante, perda de peso inexplicada ou outros sintomas gerais.

Perguntas frequentes

Vou precisar operar? Não necessariamente. A fisioterapia é a primeira linha e muitos pacientes melhoram com ela. A decisão sobre cirurgia é compartilhada entre você, o fisioterapeuta e o ortopedista, depois de um tratamento conservador bem feito.

Posso continuar treinando? Em geral sim, com ajustes. Costumamos limitar temporariamente a amplitude de agachamento e os movimentos que provocam o impacto, sem parar o treino inteiro.

O exame mostrou cam. Isso significa que tenho a síndrome? Não por si só. Muita gente tem a alteração óssea e nenhum sintoma. O diagnóstico exige sintomas, exame físico e imagem, juntos.

Se eu não tratar, vira artrose? O impacto femoroacetabular é associado a maior risco de desgaste articular ao longo do tempo, mas isso não é automático nem inevitável. É mais um motivo para avaliar cedo.

Referências

Sente dor na virilha ao agachar ou depois de dirigir? A equipe do Instituto Dra. Vanessa Alves, em Boa Viagem (Recife), avalia o seu quadril e ajuda você a decidir o caminho com informação de verdade. Agende sua avaliação pelo WhatsApp.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação profissional individual.

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