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Lesão de menisco precisa de cirurgia? O que a evidência mostra

22 de setembro de 2026 · Instituto Dra. Vanessa Alves
Lesão de menisco precisa de cirurgia? O que a evidência mostra

O que é o menisco e por que ele lesiona

Cada joelho tem dois meniscos: estruturas de fibrocartilagem em formato de meia-lua que ficam entre o fêmur e a tíbia. Eles distribuem carga, dão estabilidade e protegem a cartilagem. Sem eles, a pressão se concentra em pontos pequenos da articulação.

As lesões de menisco se dividem em dois grupos, e essa divisão muda tudo na decisão de tratamento:

  • Traumática — típica de pessoa mais jovem, num movimento de rotação com o pé fixo, muitas vezes no esporte. Tem um momento claro: "foi naquele jogo".
  • Degenerativa — desgaste ao longo dos anos, comum a partir dos 40 e 50. Pode aparecer sem nenhum trauma, às vezes só de agachar. Frequentemente acompanha artrose inicial.

A maior parte das lesões de menisco que aparece nos consultórios é do segundo tipo.

Como reconhecer

  • Dor na linha da articulação, na lateral interna ou externa do joelho;
  • Dor ao agachar, girar o corpo com o pé apoiado, subir e descer escada;
  • Inchaço que aparece horas depois do esforço;
  • Sensação de falseio ou de que o joelho "sai do lugar";
  • Em lesões maiores, travamento — o joelho não estende completamente, como se algo estivesse preso dentro.

Travamento verdadeiro e persistente é o sintoma que mais muda a conduta, e merece avaliação rápida.

O que a ciência mostra — e essa é a parte que surpreende

Este é um dos temas em que a evidência mudou mais a prática nos últimos anos, e a informação ainda não chegou à maioria das pessoas.

A revisão Cochrane sobre cirurgia artroscópica para doença degenerativa do joelho — que inclui a meniscectomia parcial por lesão degenerativa — comparou a artroscopia a tratamento conservador e a procedimentos placebo. A conclusão é direta: a artroscopia traz pouco ou nenhum benefício clinicamente importante em dor e função, em comparação a exercício ou a cirurgia simulada, e há riscos associados ao procedimento.

Ou seja: para a lesão degenerativa de menisco, que é a mais comum a partir da meia-idade, operar não costuma ser melhor do que fazer fisioterapia bem feita. Muita gente opera esperando um resultado que a evidência não sustenta.

Isso não vale para todo mundo. A cirurgia continua tendo papel claro em:

  • Travamento mecânico persistente por uma alça de balde;
  • Lesões traumáticas em pessoas jovens, sobretudo quando há indicação de reparo (costurar o menisco) e não de remoção;
  • Lesões associadas a rotura de ligamento cruzado que serão tratadas cirurgicamente.

A decisão é do ortopedista. O que a evidência nos permite dizer com segurança é que, na lesão degenerativa sem travamento, vale começar pela reabilitação — e que isso não é "tentar o barato antes", é a conduta com melhor respaldo.

Como tratamos na clínica

  • Avaliação do joelho e da cadeia inteira — quadril e pé mudam a carga que chega no joelho;
  • Controle da dor e do inchaço na fase inicial;
  • Fortalecimento progressivo de quadríceps, isquiotibiais e glúteos — este é o núcleo do tratamento e o que mais muda o desfecho;
  • Trabalho de controle motor e equilíbrio, para reduzir falseio;
  • Recuperação de amplitude completa de extensão e flexão;
  • Terapia manual e liberação miofascial como apoio para permitir o trabalho ativo;
  • Retorno gradual às atividades e ao esporte, com critérios objetivos e não só pelo tempo.

Prazo realista: programas de reabilitação para lesão degenerativa costumam se estruturar ao longo de 8 a 12 semanas de trabalho consistente. Quem abandona na terceira semana não testou o tratamento.

Sinais de alerta

  • Travamento persistente — joelho que não estende;
  • Inchaço importante e imediato após trauma, que sugere sangramento articular;
  • Instabilidade grave, com o joelho falseando em situações simples;
  • Joelho quente, vermelho e com febre — procure avaliação urgente;
  • Incapacidade de apoiar o peso após trauma.

Perguntas frequentes

Menisco cicatriza? Só a parte periférica do menisco tem boa irrigação sanguínea, e é a região com potencial de cicatrização. A porção interna é pouco vascularizada.

Posso correr com lesão de menisco? Muitas vezes sim, após reabilitação adequada e com progressão de carga. A decisão depende dos sintomas e do tipo de lesão.

Se a ressonância mostra lesão, preciso operar? Não necessariamente. Lesões meniscais aparecem com frequência em exames de pessoas sem dor, sobretudo depois dos 40. O exame sozinho não indica cirurgia — a clínica indica.

Fisioterapia funciona mesmo, ou é só para adiar a cirurgia? Nos quadros degenerativos, os estudos mostram resultados comparáveis aos da cirurgia. Não é adiar — é tratar.

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Referências

Recebeu um diagnóstico de lesão de menisco e já ouviu falar em cirurgia? A equipe do Instituto Dra. Vanessa Alves, em Boa Viagem (Recife), avalia o seu caso e monta o programa de reabilitação. Agende sua avaliação pelo WhatsApp.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação profissional individual.

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